LER, PENSAR E ESCREVER


Ontem, no Portal Aprendiz

A matéria é de Stefano Azevedo, e tem muito a ver com a realidade que tenho visto:

Hoje, é pelo computador que os jovens lêem, escrevem e discutem. Segundo a Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil de 2007 (TIC Domicílios 2007), 55% dos internautas brasileiros de 16 a 24 anos acessam a rede de computadores diariamente.

Porém, os professores têm muito pouca familiaridade com as novas tecnologias, se comparados com os alunos”. O alerta é da professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), atuante na área de Planejamento e Avaliação Educacional, Elisa Wolynec, que participou do Congresso Educar Educador 2008, em São Paulo (SP). Segundo ela, professores freqüentemente restringem a Internet como fonte de pesquisa para trabalhos e em alguns casos chegam a preferir textos escritos à mão ao invés de digitados. Segundo os professores presentes no evento, o receio é de que o conteúdo seja copiado sem ser aprendido ou, às vezes, nem ao menos lido. Para Elisa, os educadores precisam procurar novos métodos que permitam e abracem o aprendizado na web, integrando a informática no ensino de um modo que facilite e pontencialize o acesso à informação.

O professor de administração de empresas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), especialista em Tecnologia Educacional, César Adames, que também participou do evento, apontou diversos serviços gratuitos à disposição de professores interessados em aproveitar bem esse potencial. Fóruns, blogs, grupos de email, chats, entre outros, cada um destes pode ser aproveitado de diferentes maneiras. Um professor, por exemplo, pode criar o seu blog, no qual são postados conteúdos complementares à matéria. Além disso, pode também ser criado um blog coletivo da turma, ou mesmo o blog de um livro, atualizados pelos alunos. Já o fórum, que pode ser criado através do Orkut, pode ser usado para promover discussões coordenadas e mediadas pelo professor.

Para tudo isso, basta que exista acesso ao computador e à Internet, diz Adames. A utilização dos serviços é gratuita, e não é essencial que os alunos possuam um computador pessoal, pois podem acessar a Internet na escola. Mesmo assim, é preciso ressaltar que a mesma pesquisa que identificou o grande uso da rede pelos jovens, revelou também que a porcentagem de usuários que acessam a Internet da escola diminuiu de 21% em 2005 para 15% em 2007.



Escrito por Gabriel Perissé às 16h56
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Confissão

Publiquei no Correio da Cidadania desta semana um artigo confessional...

Confesso e não nego que sou carioca. Da gema. Do bairro do Estácio.

O artigo prossegue aqui. Boa leitura!



Escrito por Gabriel Perissé às 00h11
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Leitura, leitores e leitoras...

Já se sabia que as mulheres lêem mais do que os homens. Eis uma confirmação. E a expectativa com relação a esse "Retratos da Leitura no Brasil":

São Paulo, quarta-feira, 28 de maio de 2008

Mulher lê mais que homem, aponta pesquisa nacional

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.
O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco -ou quase nenhum- tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.
Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira -43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.
O segundo colocado é o livro "O Sítio do Picapau Amarelo", de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil.
A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.
(LUCAS FERRAZ)



Escrito por Gabriel Perissé às 08h02
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Pedala!

Ontem fez um belo dia em São Paulo. E saímos em família para pedalar no Ibirapuera. Bicicletas de todos os tipos, o tipo "família" que usamos, e (sempre lendo, sempre lendo) o comportamento dos bicicleteiros muitas vezes semelhante ao dos motoristas. Alguns levam o estresse do trânsito cotidiano para um passeio de fim de semana! Substituem o automóvel pela bicicleta, mas continuam agindo como se estivessem ao volante.

                               



Escrito por Gabriel Perissé às 09h13
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Periodicamente...

Recebo de meu amigo Felipe Fortuna, hoje morando na Rússia, diplomata que é, link para seus artigos no Jornal do Brasil. O de ontem é uma reflexão sobre o valor... ou o preço das palavras de ordem ouvidas e escritas em maio de 68. Vale a pena ler e pensar...

               PALAVRAS DE ORDEM: QUEM DÁ MAIS?

                         Felipe Fortuna

Na Paris de maio de 68, havia uma fórmula francesa para preparar a revolução: rêve (sonho) + évolution. Assim estava escrito nos muros, nas paredes, nos portões, com a precisão possível em momento de alta volatilidade e desejos a mil. Toda e qualquer idéia liberadora deveria ser escrita logo e dada ao conhecimento geral na rua. As frases e slogans nunca se assentavam no papel: iam diretamente para o lado de fora, assim escapando dos leitores sedentários para serem incorporadas pelos transeuntes. Idéias permanentes gravadas nos passageiros daqueles dias de chienlit. Tudo se transformava: como poucos movimentos políticos e sociais, maio de 68 fez surgirem “palavras de ordem” inéditas, que procuravam modificar o mundo através da imaginação. “Exagerar, eis a arma”. “A barricada fecha a rua, mas abre o caminho”.

 

(O artigo continua aqui.)



Escrito por Gabriel Perissé às 09h27
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Filme para pensar

Há filmes quase teatrais, como este, El método, intitulado no Brasil O que você faria?. Que, afinal, é uma adaptação da peça El método Grönholm, do catalão Jordi Galcerán.

   

Se utilizarmos as categorias de Vogler (A jornada do escritor), também aqui temos o chamado: os candidatos a um emprego são levados a esta sala em busca de uma única vaga (recompensa). Um dos personagens quase recusa o chamado, mas acaba se integrando ao jogo. A sala é o mundo especial, onde, ao começar a aventura, descobrem que há ali um camaleão, um funcionário da empresa que se disfarça de candidato. O papel do mentor é interpretado pela secretária, e depois pelo computador.

Todos, de certa forma, são sombras, representam obstáculos para que o outro obtenha o emprego. Os heróis são submetidos a provas e testes. No meio da história, o camaleão se revela. Sobram três candidatos, inimigos entre si. Um deles cai. Ficam dois, que no início poderiam ter sido aliados. O camaleão torna-se mentor do rapaz. A secretária/mentora reaparece e dá orientações à moça. No confronto final, o herói (será herói aquele que destrói a todos e só pensa no seu bem?) ganha a vaga, e a moça regressa ao mundo comum, numa cena em que aparecem vestígios de uma manifestação popular reprimida pela polícia.



Escrito por Gabriel Perissé às 11h47
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Neolatim...

Um radialista, ontem, disse que estávamos comemorando o Corpus Christian... Deve ser um idioma novo, um neolatim, que ignora o genitivo...



Escrito por Gabriel Perissé às 09h10
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Ler e avaliar a educação

Muitas avaliações sobre a situação educacional brasileira já chegaram ao nível do "chover no molhado". Talvez fosse o momento de descobrirmos que medir a pressão de meia em meia hora, por si só, não evita o risco de um derrame.

Este é o início de artigo meu, publicado no Observatório da Imprensa.



Escrito por Gabriel Perissé às 13h43
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Leitura de uma lenda

Assisti ontem ao Eu sou a lenda. É interesse ler essa e outras histórias à luz da "Jornada do Escritor", de Christopher Vogler.

O chamado para a aventura está lá. Antes de ficar sozinho em Nova Iorque, o herói — o cientista e militar Robert Neville — é chamado a ficar ali, o Marco Zero, para salvar as pessoas, encontrar a cura para a Epidemia. O mentor pode ser Bob Marley, citado pelo próprio herói num dado momento como alguém que lhe serve de inspiração para cumprir seu dever, trabalhar incansavelmente por um mundo melhor.

                              

A partida. Esposa e filha morrem num acidente, na hora da grande fuga. O herói, acompanhado por um aliado, a simpática Samantha, uma cadela, penetra no mundo especial. O mundo da solidão do herói. E ele vai entrar literalmente na caverna, enfrentar a escuridão, o perigo. Podemos dizer que um novo chamado se faz, quando aparece Anna, uma mulher que o salva da morte e lhe diz que Deus tem um plano. O herói recusa este plano: "Deus não existe". Os inimigos perseguem o herói e sua aliada-mentora, Anna, que leva consigo um menino, seu filho Ethan. A sombra é o líder dos "vampiros" infectados. Mas todos os infectados atuam como sombras e também como guardiães que bloqueiam o caminho do herói.

No final, o herói descobre a cura (recompensa!), mas precisa fazer um sacrifício para proteger essa descoberta. Entrega sua própria vida, não sem antes olhar a foto da esposa e da filha. Ele sabe que está retornando. Há também o retorno de Anna e seu filho para um lugar onde há esperança de recomeço para a humanidade. Ela leva o elixir.



Escrito por Gabriel Perissé às 12h22
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Leitura de perdas

Na semana passada, perdi meus óculos. Anteontem, perdi minha carteira de identidade. Hoje de manhã, não encontro meu relógio. Visão, identidade e tempo perdidos. O que mais se pode perder nesta vida... além da própria vida? Preciso ler a visão embaçada. Ler o que penso que sou, uma foto antiga, rosto imberbe. Ler o tempo que não tenho, os minutos devem estar por aí, debaixo de algum móvel, talvez.



Escrito por Gabriel Perissé às 10h00
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Ler a multidão

Caminho pelas ruas do centro de São Paulo. Corpos e mais corpos, rostos, pressa, passos, poços de alma, prosas, gente presa correndo em círculos, eu atrás, com cara de tanto-faz, mas atento. Atento demais.



Escrito por Gabriel Perissé às 13h13
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Ver para não ver de novo

Há também a hora em que vale a pena ver para não ver de novo. Como este filme, Celeste & Estrela, recomendado por um professor de roteiro de cinema (!?). O filme não decola, não amarra, não convence, não inspira e não desperta...

                                



Escrito por Gabriel Perissé às 09h54
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Traduzir é criar

E por ser um ato criativo, não se pode atropelar o trabalho de um tradutor. A notícia publicada ontem faz sentido.

FOLHA DE S.PAULO 10 de maio de 2008.

Plágio leva L&PM a processar editora

Nova Cultural, que já suspendeu venda de 22 títulos suspeitos, será acionada judicialmente por negociar traduções plagiadas.

"Divina Comédia" e "Madame Bovary" teriam sido publicados pela editora gaúcha com atribuição incorreta dos tradutores.

MARCOS STRECKER

Conhecida pelos títulos herdados da antiga (e renomada) coleção de clássicos da Abril Cultural, a Nova Cultural tem cada vez mais contestada sua coleção "Obras-Primas", que foi vendida entre 1995 e 2002 em bancas (onde não é mais comercializada) e está à venda pela internet (nos sites
www.novacultural.com.br ou www.obrasprimas.com.br).

Já são 22 os títulos em que há confirmação ou suspeita de atribuição errada dos tradutores. Entre os nomes que teriam sido omitidos em novas traduções maquiadas ou simplesmente copiadas, está Mario Quintana, como a Folha noticiou em 15/12/07.

Dois desses títulos, "Madame Bovary" e "A Divina Comédia", tiveram seus direitos revendidos para a editora gaúcha L&PM, em 23/1/03, que os republicou. Com prazo de cinco anos, o contrato venceu em janeiro passado. No documento, ao qual a Folha teve acesso, a Nova Cultural declara ser detentora das traduções de Enrico Corvisieri ("Bovary") e Fábio M. Alberti ("Comédia"). Mas essas traduções estão sendo contestadas por especialistas, que apontam adulterações de versões de Araújo Nabuco e Hernâni Donato.

Agora, o editor da L&PM Ivan Pinheiro Machado anunciou que vai processar a Nova Cultural. "O prejuízo é mais moral", afirma. Mas não é só. A L&PM mandou notificação para todas as livrarias que comercializam seus livros para que devolvessem cópias dos dois títulos em consignação, destruiu os exemplares remanescentes e providenciou novas traduções. Machado afirma que tudo será anunciado no site da editora (
www.lpm.com.br). "Vamos divulgar com transparência o que aconteceu, informando as medidas que tomamos e quem é o autor [da tradução] verdadeiro. A gente assume que entrou numa fria."

Machado disse que aguardava um laudo oficial ou o parecer de algum órgão de classe para adotar uma ação judicial. Mas afirmou que as evidências apontadas até agora já são suficientes. As edições da Nova Cultural foram analisadas por um grupo de tradutores que apontam os créditos incorretos nas edições.

Liderando esse grupo, um movimento "pela cidadania e de defesa do nosso patrimônio cultural", está a tradutora Denise Bottman, organizadora desde dezembro passado de um movimento que já reuniu mais de 300 assinaturas de personalidades e profissionais da área. Ela reuniu no
site http://assinado-tradutores.blogspot.com/ a lista das obras suspeitas e o cotejo das traduções. Ela seguiu as informações publicadas pela Folha em dezembro, além de outras denúncias que já haviam sido apontadas pelo tradutor Ivo Barroso, entre outros.

A Folha já havia denunciado casos de plágio em traduções da editora Martin Claret, em 4/ 11/ 07. E o jornal O Globo noticiou novos casos da Nova Cultural no último dia 19/4.

Procurada pela Folha, a Nova Cultural disse que determinou a retirada de circulação e venda "de todas as obras nas quais se constatou qualquer suspeita de problemas". A editora disse que não foi procurada pela L&PM, mas que "o assunto está sendo tratado diretamente com as empresas editoras detentoras dos direitos, com as quais a Nova Cultural mantém e/ ou manteve contratos".

A Nova Cultural diz que a equipe responsável pelo relançamento das obras já saiu da empresa há mais de três anos "e não existe forma de determinar quais as falhas no processo que permitiram o surgimento destes problemas".

Segundo a editora, foi ela mesma que constatou problemas: "Em setembro de 2007, um editor da Nova Cultural, por acaso, ao consultar algumas das obras da coleção "Obras-Primas", notou diferenças na coleção feita em 2002 contra a obra publicada em 1978. Quando colocado o problema para a diretoria, esta, de imediato, instruiu que fosse feita uma averiguação minuciosa".



Escrito por Gabriel Perissé às 12h13
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SPC

Construir um Sistema Pessoal de Convicções, um SPC. Composto por frases contundentes, ou redondas, ou abertas... Por exemplo: "eu sou aquilo que escrevo e escrevo aquilo que sou".



Escrito por Gabriel Perissé às 07h24
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Leitorado

Uma das alegrias de quem escreve é ver o leitorado se formando. E leitorado que se manifesta. Recebi recentemente duas mensagens:

Olá, Gabriel
 
Boa noite! Vc não me conhece, eu acabei de ler um texto seu (Sebos da Minha vida) recebido de uma amiga, e eu amei!!!
Concordo plenamente com vc. Os sebos chegaram aqui na minha cidade no final da  década de 80 e eram bem diferentes de hoje, tinham...
"atmosfera"... entende? Era quase como vc entrar num recinto sagrado... Os livros "velhos" não eram caros e qdo eram, eram
devido a serem raros mesmo... vc não ia encontrar outro igualzinho no sebo ali da esquina.
 
Hoje é só comércio pura e simplesmente. Com atendentes que muitas vezes conhecem o "produto" livro, mas não a história
por trás, o autor... Eu sou um pouco suspeita pra falar de livros, pois além de amar a leitura, sou bibliotecária, então sou duplamente interessada
no assunto.
 
Não conheço suas obras, reconheço mas vou procurar conhecer... dei uma olhada e me interessei pelos temas... acho que
vou gostar muito.
Obrigada pela atenção e desculpe qualquer incômodo...
 
Att.
 
RR
 
E esta outra:
 
Gabriel Perissé, desculpe a invasão, mas que não deve ser, pois seu e-mail está postado no seu texto sobre "Plágio Criativo".

Obrigado pelos dados ali contidos. Gostei tanto que desejei agradecer-lhe. Encontrei-o por uma pesquisa sobre plágio que eu fazia. Mero acaso? O que precisava era muito menos...
Mas você me fisgou e retomei a leitura do seu aprazível texto leve, não-raso, bom, conciso, interessante, generoso. Mas sempre que faço uma crítica nestes termos, digo, numa área para a qual não estou hablitado, aqui, crítica literária, sinto-me meio ridículo. Tantos são os críticos mergulhados na total ausência de autocrítica. Mas... por que não ousar, não é mesmo? Espero não ser impertinente, contudo.

Por que li seu escrito? Porque escrevo umas coisinhas, por aqui.
Encontrei-me ali, portanto. Ou pretensamente. Fato é que gostei, reconhecendo-me em suas palavras, gostei.
Isto, por si só, satisfaz-me. Um bom texto justifica o escrito e o tempo investido para fazê-lo e na leitura... estou plagiando você?
Precisaria de mais? Pode ser que sim; provavelmente, sim.
Gostei de haver sido esclarecido quanto à originalidade, influência, e algumas citações.

Reitero: não sou crítico, e o estou sendo, e gostei.

Obrigado. E obrigado porque seu texto poderia não estar ali onde o encontrei.

PCN


Escrito por Gabriel Perissé às 10h19
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VOCÊ É AUTOR? EU TAMBÉM!


Por RACHEL DONADIO (*), no The New York Times, 27 de abril de 2008.


Já se sabe que os norte-americanos estão lendo menos livros do que no
passado. Um estudo recente feito pela National Endowment for the Arts (NEA)
revelou que 53% das pessoas que responderam à pesquisa não leram um único
livro em 2007, resultado preocupante para quem está envolvido com a vida
editorial. Contudo, embora seja maior o número de pessoas que preferem as
imagens de uma tela (da televisão ou do computador) aos prazeres da leitura,
um fenômeno paralelo tem tomado conta dos Estados Unidos: a grafomania
coletiva.

Em 2007 foram publicados e/ou distribuídos no país cerca de 400 mil livros,
cifra superior aos 300 mil registrados em 2006. Podemos atribuir esses
números à onda crescente de impressões por demanda e de reimpressões de
títulos esgotados. Os cursos e oficinas de criação de texto, fora e dentro
das universidades, oferecem a escritores aspirantes a oportunidade de
tornarem seus textos conhecidos. Estima-se que 175 mil novos blogs são
criados diariamente no mundo (com um pouco de sorte um blogueiro consegue
editar seu livro). O mesmo estudo da NEA mostra que 15 milhões de
norte-americanos escrevem com a intenção de "realizar-se pessoalmente".

Em suma, se todo mundo tem uma história para contar, agora todo mundo quer
contá-la. Poucas pessoas estão lendo, mas, onde quer que estejamos, vemos
norte-americanos divulgando entusiasmadamente os seus textos, tal como o
velho poeta Walt Whitman, ele mesmo um autor que se autopublicava.

"Como editar um livro é hoje em dia menos custoso, a idéia de escrever e
publicar por conta própria tornou-se uma realidade", diz Gabriel Zaid,
crítico literário mexicano, autor de Livros demais (Summus Editora), em que
reflete sobre a vida literária e a abundância de livros no mundo todo. Hoje,
acrescenta o autor, "qualquer um pode pregar no deserto".

No Book Review, são divulgados semanalmente dezenas e dezenas de livros
publicados por seus próprios autores: livros de poesia, livros infantis,
livros de memórias, manuais de auto-ajuda, romances de ficção científica,
títulos religiosos... Escreve-se sobre tudo: a morte de Napoleão,
Disneylândia, o céu, o inferno, o Holocausto, sexo, novos regimes para
emagrecer... tudo. Há empresas especializadas em organizar e publicar livros
de autores independentes. Há livros de conferencistas e professores, mas a
maioria dos autores são pessoas comuns que querem ver sua obra impressa.
Autores de todas as idades, mas à medida que a pessoa vai envelhecendo
consegue ter mais tempo e dinheiro para realizar este sonho. O resultado das
vendas, por outro lado, não é significativo. Muitos desses escritores não
vendem mais do que 200 exemplares.

Outro tipo de autopublicação é o da impressão por demanda. Uma empresa que
presta esse serviço já lançou 20 mil títulos, de mais de 18 mil autores. O
problema, como sempre, é a distribuição, mesmo com a ajuda da internet.

Escrever tornou-se um hobby, como jogar golfe ou outro qualquer. Para quem
procura uma formação específica, existem centenas de cursos de escrita
criativa. Desde a década de 1960, esses cursos "democratizaram" a arte de
escrever, encorajando sobretudo mulheres e pessoas das mais diversas classes
sociais e grupos étnicos a contarem suas histórias e escreverem seus poemas.
Os que organizam esses cursos não concordam com quem se queixa do excesso de
publicações em detrimento das obras-primas. Embora tenham suas falhas, esses
cursos também contribuem para que as pessoas leiam melhor.

O Prof. Mark McGurl, autor de um livro sobre o impacto dos cursos de escrita
criativa na literatura norte-americana pós-45, acredita que tais cursos
contribuíram para expandir o universo literário. "A literatura
norte-americana nunca foi tão profunda, vigorosa e variada como atualmente",
afirma McGurl. E acrescenta: "diante das inumeráveis possibilidades de
distração da vida moderna, temos hoje, proporcionalmente falando, um número
maior de escritores e de leitores nos Estados Unidos do que em qualquer
outra época".

Em última análise, seguindo o pensamento de Gabriel Zaid, não devemos nos
preocupar com a proliferação dos livros, embora este autor acredite que nem
todo mundo deveria se aventurar a escrever. André Gide tentava desencorajar
os candidatos a escritor que se aproximavam dele pedindo ajuda. Para Zaid,
"essa atitude de Gide não desencorajava os verdadeiros escritores, e os que
não eram escritores pelo menos não perderiam mais tempo. Naturalmente,
alguns medíocres jamais desistem, e pode acontecer que alguns bons
escritores em potencial acabem por desanimar-se. No entanto, o certo é que
ainda existem muitos talentos a serem descobertos."

Sem dúvida, há muito barulho sendo feito por aí, e parte desse barulho é
música...

(*) Rachel Donadio é escritora e editora no Book Review.


Escrito por Gabriel Perissé às 14h49
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Febre no feriadão

 

Febre sol em dia chuvoso.

Febre sal em boca seca.

Febre sim em corpo frio.

 

Febre sede de manhã.

Febre soco à tarde.                                                   

Febre sauna à noite.

 

Febre saudade de sorvete.

Febre solidão de madrugada.

Febre semente de saúde.

 



Escrito por Gabriel Perissé às 09h15
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Falemos de trabalho no Dia do Trabalhador

Ler é trabalho. Eleger um livro, livrar-se do tempo para ter tempo de percorrer suas linhas, penetrar nas entrelinhas. Ler é trabalho trabalhoso. Comer a carne da leitura, sugar-lhe o sangue, roer-lhe o osso. Suportar o que há de insosso até chegar ao poço de água viva. Mais: saborear o insosso. Sentir no insosso o gosto que poderia ter.

Ler dá trabalho. Guardar da leitura a palavra exata, a frase contundente, a imagem certeira, a metáfora nova, a idéia paradoxal, o personagem mais vivo que os próprios vivos. Ler é trabalhar sem salário, sem recompensa material. Ler é trabalho puro, trabalho duro, trabalho divino.

Ler é também trabalho sujo. Ler é lamber os séculos, digerir tudo o que há em outras mentes. Leitura suja. Leitura suja de vida. E por isso é trabalho limpo. Trabalho decente, atraente.

                             

Pensar é trabalho. Raciocinar é pouco, apenas racionar idéias, contar os passos, evitar falácias, economizar processos. Pensar mesmo, que cansa, é transbordamento, perda do tempo que não temos. Pensar é imaginar e relembrar, transgredir e transcender.

Pensar dá trabalho. É virar do avesso o que já estava certo. Pensar é misturar. Bom senso com não-senso, senso prático com senso moral, senso comum com senso estético.

Pensar é trabalhão. Emagrece a alma. É sempre hora extra, hora extensa, hora extrema. Pensar é pensar nas horas mortas e nas horas vivas, nas horas vagas e perdidas, em cima da hora, pela hora da morte.

Escrever é outro trabalho e tanto! Escrever é ser escravo das letras. Trabalhar de sol a sol, de lua a lua, de segunda a segunda, de hora em hora, de chaga em chaga, de ano em ano, tudo e nada, com leitor ou sem, com editora ou sem, com dinheiro ou sem.

Escrever dá trabalho. Dá medo, dá dor, dá dó. Catar palavras nas areias, correr atrás de algumas, que fogem. Ou fugir das que nos perseguem, repetidas, redundantes, replicantes.

Escrever, trabalho braçal, trabalho de cão, trabalho de Hércules, trabalho de Sísifo, trabalho de parto que nos parte ao meio, trabalho forçado que liberta.

Ler, pensar e escrever. Três trabalhos que atraem, subtraem, maltratam e enriquecem. Trabalhos ocultos, solitários. Trabalhos que aumentam a fome de trabalhar. Trabalhos impunes. Trabalhos sem perdão, sem a devida remuneração. Trabalhos que não têm preço. Que não têm fim. Que não têm jeito.



Escrito por Gabriel Perissé às 04h45
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