É sempre uma alegria ganhar livro de presente, mais ainda quando o livro é bom. Recebi da Editora Vida o livro Henri Nouwen de A a Z, de Ricardo Bitun. Coletânea de textos do teólogo holandês, sacerdote católico, que conheci este ano ao ler A volta do filho pródigo (Paulinas), belo estudo sobre um quadro de Rembrant.
Um texto de Nouwen escolhido por Ricardo Bitun: "O significado original da palavra 'teologia' era 'união com Deus em oração'. Hoje, a teologia é apenas uma disciplina acadêmica dentre muitas outras. Frequentemente, os teólogos encontram dificuldade para orar." (p. 387)
Escuridão, confusão, não saber onde pôr a mão. Onde está a lanterna, aquela que comprei na liquidação... Cuidado com o apagão, ele apaga mesmo, mesmo quem paga a conta ficará sem computador, sem tv, sem lucidez. Quem paga a conta não se dá conta de que a noite é escura mesmo, e como é bela, e como é bom jantar à luz de velas, e ir dormir sem saber de nada, sonhar, e acender no sonho outras luzes.
A leitura guiada pelo intuito terapêutico oferece um tipo de controle sobre a situação que nada tem a ver com o controle abusivo, e ineficaz, e ilusório, que queremos ter sobre a realidade. A biblioterapia oferece um controle relativo, porque sempre relativos são os controles saudáveis.
Controle, a palavra, tem a ver com rôle, em francês, "lista", "rol". Observando o rol, fazendo uma lista, não me sinto sequestrado pela situação. Ao menos tomo consciência do que há ao meu redor. Não fico submerso, envolvido a tal ponto pelas águas da dor ou da preocupação que não possa respirar, pensar, agir.
Lendo O ano do pensamento mágico, de Joan Didion (Editora Nova Fronteira), encontro o princípio básico da biblioterapia: "Em tempos difíceis, leia, aprenda, trabalhe em cima da coisa, pesquise a literatura a respeito. Fui treinada assim desde pequena. Informação significa controle." (p. 47)
Encontrei-me na quinta-feira passada com o Prof. Kika, amigo e parceiro. Acaba de lançar em livro a sua tese de doutorado. Seu tema são as publicações de autoajuda pedagógica, esse veneno que atrapalha a formação docente! O nome oficial do autor: Arquilau Moreira Romão. A editora é a Alphabeto.
O que Xico Sá tem a ver com o 20º Congresso do SINPEEM ?
Xico Sá escreveu um haicai:
Levei a vida na marola
segui ao pé da letra
a placa CUIDADO-ESCOLA
------------------------------------------------------ Mas também é possível ler o haicai lembrando o cuidado que devemos ter, nós, professores, com a nossa formação. A escola exige cuidado. Cuidadosos temos de ser com a linguagem. Cuidadosos para pensar melhor, decidir melhor. Ou seremos atropelados pela barbárie.
Minha palestra neste Congresso será amanhã, às 14h30.
Ideias geniais devem ser elogiadas e divulgadas. O escritor Samir Mesquita troca um livro por um livro. Proposta simples e irrecusável. Já enviei um e estou à espera do que ele escreveu, o 18:30. Para ver e fazer, clique aqui.
Lendo, vemos. E assistindo a um filme, lemos. Ontem, por sugestão de Ana, minha mulher, vimos o filme Zuzu Angel (2006). Registro histórico importante. Nossas filhas estavam por perto, e perguntavam: "o que é ditadura?", "o que é tortura?", "por que isso aconteceu?" — leitura em família.
Não o Caetano. O autor é Gil Veloso, estreante sem estresse, com seu livro Fábulas farsas, pela Opera Prima Editorial. Boa leitura para crianças e... para adultos que ainda não se adulteraram. Malícia e inocência. Animais que se parecem conosco, demais: homens e mulheres que se fazem raposas, abelhas, baratas, pulgas, burros, bodes, cupins, corujas, a fauna inteira. Não são falsas estas fábulas.
Bem interessantes as reflexões de Attico Chassot, professor de química, doutor em Educação pela UFRGS, neste livro sobre alfabetização científica, publicado pela Editora Unijuí. Porque é verdade: somos todos analfabetos em algumas ou em muitas áreas da vida. O autor escreve:
"Poderia ser considerado alfabetizado cientificamente quem não soubesse explicar algumas situações triviais de nosso cotidiano? Por exemplo: o fato de o leite derramar ao ferver e a água não; por que o sabão remove a sujeira ou por que este não faz espuma em água salobra; por que uma pedra é atraída para a terra de maneira diferente de uma pluma; por que no inverno as horas de sol são menores do que no verão ou por que quando é primavera no hemisfério sul é outono no hemisfério norte; por que quando produzimos uma muda de violeta a partir de uma folha estamos fazendo clonagem." (p. 40)
Boas perguntas! Aliás, vou ver agora mesmo o leite que eu deixei no fogão!
Esta é a condição de Caim, protagonista do novo romance de José Saramago. Errante e perdido. E em sua perdição e errância vai caminhando, em luta contra Deus.
Mas a figura divina está caricaturizada. Reclamem à vontade os que leem a Bíblia com devoção. Saramago sabe que incomoda, mais irônico do que nunca, ridicularizando crenças e imagens (ingênuas...) da fé. Caim pensa como Saramago. Saramago faz Caim pensar como um racionalista, pois é assim que o autor se vê — um racionalista que jamais acreditará em bobagens.
A ética de Caim é superior à ética divina, ética divina mais uma vez simplificada e caricaturizada. Não se pode confiar em Deus. Esta é a conclusão do romance. Mas o romance está inconcluso, enquanto Saramago continuar a discutir com Deus e escrever sobre o sobrenatural...
Hoje, dia da Leitura. Passei o dia lendo. Ler é enxergar. Lendo livros e pessoas, nos alfabetizamos existencialmente. Ler é exercitar os olhos e a mente, a memória e a imaginação, a nossa capacidade de falar e escrever, é fazer terapia profunda.
Outro artigo meu em que falo de Saint-Exupéry. Dessa vez na Revista Educação. Para ler o artigo em sua versão integral, os assinantes do UOL ou da Revista podem acessar aqui.
Está no site da Segmento meu novo artigo para a Revista Língua Portuguesa. Os assinantes UOL e da Revista leem o texto integral. O número impresso chegará às bancas em breve. Meu tema neste artigo tem a ver com o inesquecível pequeno Príncipe.
Anunciei aqui o lançamento de livros de Paulo Netho. Agora divulgo uma entrevista que Henrique "Pitoco" realizou com o autor, registrada por minha esposa, Ana Lasevicius, nessa edição:
Eis uma oficina interessante. Conheço o Bruno Cobbi. E recomendo. De quebra, outra dica: um curso de criação literária, coordenado por Nelson de Oliveira e Claudio Brites.